Pensando bem...
Paro pra pensar e penso que na minha aldeia há um dito: não se deve parar pra pensar, mas continuar andando enquanto se pensa, porque isso é pensar, colocar o lado de dentro da cabeça em movimento. Então, sigo pensando e passo a pensar que passei muito tempo da vida só pensando. Todas as pessoas da cidade trabalhavam ou saíam pras danceterias ou praticavam algum esporte ou simplesmente jogavam conversa fora. Enquanto isso, eu só pensava. Pensava nessas pessoas todas se movimentando pelos lugares que citei acima ou pensava nesses lugares sem as pessoas ou as pessoas fazendo coisas em outros lugares. Poderia até pensar que perdi tempo pensando e que poderia juntar ações aos pensamentos e fazer como maioria dos mortais: viver. Mas posso também pensar que tempo nada significa pra quem pensa, já que quem pensa pode muito bem pensar que o tempo está abolido. Pode pensar em parar o tempo. E, como se trata de pensamento, tudo é possível. Tipo assim:
O pensamento me assalta Estou dormindo tranquilamente. Eis que chegam as idéias com arma na mão e dizem: isto é um assalto! E entram por meus olhos, nariz e boca, aproveitam os poros da cabeça, os condutos dos cabelos e chegam até os neurônios. Esses pensamentos, embaralhados dessa forma, já passam a ser outra coisa: sonho, que é o pensamento de quem dorme. É a forma que o pensamento achou para continuar existindo quando, supostamente, a cabeça está descansando, em stand by. Ah, sim! E por falar em stand by, é hora de dizer bye-bye. Dá licença que eu vou pensar.




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