Siga aquela vida
Minha vida passou. Eu estava bebendo no balcão do bar e vi minha vida dobrar a esquina. Corri atrás. Minha vida entrou num táxi e mandou o motorista pisar fundo. Peguei o táxi que vinha em seguida e falei a clássica frase de filmes:
- Siga aquele carro!
- Por que você está seguindo esse táxi?
- É que minha vida está indo nele!
- Sua vida? Como assim?
- É! Eu sei que é estranho. Se é estranho pro senhor, imagine pra mim!
- Você não deve dar importância pra isso.
- Mas o que é que eu vou fazer sem a minha vida? Eu não posso viver sem ela! Se ainda tivesse avisado, mas não! Vai embora assim, de supetão!
- A vida costuma ir embora assim mesmo. Ela não manda bilhete dizendo: Aí, meu! Tô indo nessa! Ela vai embora e pronto.
- E como é que eu estou aqui e minha vida está lá?
- É que você não existe mais. A sua vida se foi. Você embarcou em outra viagem. Você e sua vida pegaram rumos diferentes.
- Não estou entendendo...
- Vai entender quando eu me apresentar.
- Ei! O senhor está saindo da estrada! Vai bater no muro! Pare agora mesmo!
- Impossível. Não há mais volta, meu amigo. Permita que eu me apresente: eu sou a morte. Ou melhor, sou a sua morte. Desfaça essa cara de medo! Você vai ver que nem dói. Dá um tchauzinho aí, vai.
-Nããããããããããããããããããããããããoooo!!!
(Estrondo de carro colidindo com um muro).
Ronaldo Rodrigues




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