Pensamentos me assaltam no meio da madrugada. Fico refém de seus ardis. Ardo na fogueira junto com o sol, que chega em sua carruagem metálica de cor líquida. Pensamentos passeiam comigo pelo caos da cidade. O cais do porto aguarda impaciente navios abarrotados de indecisão e medo. O mar os envolve e revolve com seus braços arriscando abraços. Pensamentos me detêm ao sinal do raio que estraçalha o pára-raio. Nas esquinas da metrópole meus olhos pedem calma e avançam no labirinto de pessoas, chuva e concreto. Meus pés ficam presos nos arames farpados e em tapetes esfarrapados. Pensamentos me fazem dormir para que minha sombra permaneça alerta e se mostre aos crepúsculos e tavernas e arquipélagos que caem como chuva de meteoro no meio do meu dia.
Ronaldo Rodrigues




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