A sombra da minha mão
assume gestos autônomos.
Pega a caneta e escreve
o que bem entende.
E eu não consigo entender
o que ela escreve.
Nada a ver com meu estilo.
A sombra do meu corpo todo
agora se desprende de mim
e se despede de mim.
Ela vai embora.
O que a sombra da minha mão escreveu
é uma carta de despedida.
Ela, a sombra, diz que a carta
esclarecerá tudo.
Assim que a escuridão
tomar conta de tudo
e só haver sombra.




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