a coisa pública


22/12/2008


aí vai um texto reprisado.

gostei dele e creio que tem a ver

com mais um final de ano.

 

derramo café em meu domingo cinzento • meus sapatos ficam expostos aos vendavais • e se vão com eles • meus olhos soterrados por muitas noites de insônia • na escuridão tateio em mares revoltosos • rasgo as folhas de aurora que o corvo deixou na escrivaninha • incendeio meus navios pra que não haja fuga • devoro os livros e as traças • permaneço intacto no esquecimento das horas • habito o labirinto que a solidão constrói à noite • escrevo na parede o tempo que falta para o motim • caio da torre em que o segredo se embriaga • me levanto da sombra e a saudade me consome nas chamas de um domingo tardio • primeiro domingo do meu último dezembro •

Escrito por Ronaldo Rony/Ronaldo Rodrigues às 18h12
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"Quero ficar vivo para salvar a Amazônia"

Se descesse um enviado dos céus e me garantisse que minha morte iria fortalecer nossa luta até que valeria a pena. Mas a experiência nos ensina o contrário. Então eu quero viver. Ato público e enterro numeroso não salvarão a Amazônia. Quero viver.

Chico Mendes em entrevista a Edílson Martins - Jornal do Brasil, 25/dez/1988

 

Escrito por Ronaldo Rony/Ronaldo Rodrigues às 18h09
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