a coisa pública


03/12/2008


 

eu seio o que me atrai,

me trai, em ti, mulher.

é quando tu baixas a alça

de mira da camisola

e me deixa contemplar

a olho nu

 o mamilo da vênus de milo.

acredite, afrodite,

que eu apelo pra ser

apolo em teu pêlo.

e de teu colo decolo

rumo ao abismo

do umbigo amigo

que comigo compactua

e atua em tua carne

nua e crua.

é quando me encho

de orgulho

e mergulho em tua pele.

tu repeles e bloqueias

o caminho.

eu aqui sozinho

me contento sem lamento

e me minto

cantando e dançando

e me jogando

ao labirinto.

Ronaldo Rodrigues

Escrito por Ronaldo Rony/Ronaldo Rodrigues às 11h32
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Capricorniano desde cedo, os outros seres me são estranhos. Eu observo os leoninos se pavoneando ao sol. Os de libra me desequilibram totalmente. Sou alvo fácil para as setas dos sagitarianos. Aquarianos quase me afogam. Os de virgem me dão vertigem. Os escorpianos me cercam com seus venenos. Tento me refugiar com os peixes. Conheço até uns gêmeos com áries de superioridade. Quando descubro que estou com câncer um touro me acerta em cheio. Será o meu inferno astral?

Escrito por Ronaldo Rony/Ronaldo Rodrigues às 11h22
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02/12/2008


 

EVITA-ME

Evita me fita de longe perto do esperto monge. Com seus laços de fita, Evita me lembrou Rita, aquela garota que, toda vez que vê uma barata na mata, grita e se irrita. Evita gosta de batata frita e se agita toda vez que vê uma cabrita. Evita não parece nada com Isabelita, sua prima carmelita que uma vez vi na feira comprando cadeira, cristaleira e penteadeira, perto de uma mula, uma mulata e um cachorro vira-lata sem eira, nem beira, que pulou da ribanceira. Evita me viu e cuspiu o caroço de abio, em pleno mês de abril. Foi então que o monge, longe de ser um cavalheiro maneiro, entrou de passageiro no trem que trouxe Matusalém e foi embora bem na hora em que Nora chegava junto com Aurora, Isadora e Dora, um trio que adora comer amora. Sem demora, corri em direção a Evita perguntando: - Evita! por que você me evita? Cheguei a levitar para estar ao lado de Evita. Ela me ignorou e nem se importou se alguém implorou para ser ouvido. Evita é assim, não liga pra intriga nem pra briga. Só quer ficar ali, esperando Mohammed Ali, que deve chegar junto com Salvador Dali, de lá ou de qualquer lugar. Evita, por que você não me imita e grita que a senhorita é a mais bonita deste lugar? Evita vai embora sem se despir, nem se despedir e nem me ouve pedir para ficar num lugar em que eu possa estar junto com Ringo Starr, até acabar a tarde e a vontade de desmaiar. Evita, lasciva, lá se vai para cantar, encantar e encontrar outros vários otários para amar.

Ronaldo Rodrigues

Escrito por Ronaldo Rony/Ronaldo Rodrigues às 12h00
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01/12/2008


 

UM TEXTO ASSIM

Um texto assim escrito em braille. Convite para o baile. Um texto assim em chama. Descrevendo a trajetória do tocha humana. Um texto assim escrito em dó maior. Sem dor maior, nem menor. Só o som do mar no rochedo. Sem medo. Um texto assim sem mais nem menos. Ou será que tanto faz o ás na manga ou a manga sem ás? Um texto assim pra começar a semana e ver Ana na savana, na varanda do verão, na sacada sacando a cena acenando para o trem que vai-e-vem do lado de lá do além. Um texto assim sem firula que pula-pula em cima da gente trazendo a chuva e cachos de uva. Um texto assim que abale os alicerces do país das maravilhas de Alice. Um texto assim que venha de carona no ventre, no vento da madruga, no casco da tartaruga ou numa baleia beluga. Um texto assim sem tirar nem pôr, a não ser o pôr-do-sol num zoom fazendo som. Um texto assim sem rodeios, sem freios, apenas algumas notas musicais na beira do cais das musas. Um texto assim de supetão pra acompanhar a manhã virando tarde da noite e me ajudando nesta caminhada ao lado do canal em busca do farol. E tal.

Ronaldo Rodrigues

Escrito por Ronaldo Rony/Ronaldo Rodrigues às 12h21
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