EVITA-ME
Evita me fita de longe perto do esperto monge. Com seus laços de fita, Evita me lembrou Rita, aquela garota que, toda vez que vê uma barata na mata, grita e se irrita. Evita gosta de batata frita e se agita toda vez que vê uma cabrita. Evita não parece nada com Isabelita, sua prima carmelita que uma vez vi na feira comprando cadeira, cristaleira e penteadeira, perto de uma mula, uma mulata e um cachorro vira-lata sem eira, nem beira, que pulou da ribanceira. Evita me viu e cuspiu o caroço de abio, em pleno mês de abril. Foi então que o monge, longe de ser um cavalheiro maneiro, entrou de passageiro no trem que trouxe Matusalém e foi embora bem na hora em que Nora chegava junto com Aurora, Isadora e Dora, um trio que adora comer amora. Sem demora, corri em direção a Evita perguntando: - Evita! por que você me evita? Cheguei a levitar para estar ao lado de Evita. Ela me ignorou e nem se importou se alguém implorou para ser ouvido. Evita é assim, não liga pra intriga nem pra briga. Só quer ficar ali, esperando Mohammed Ali, que deve chegar junto com Salvador Dali, de lá ou de qualquer lugar. Evita, por que você não me imita e grita que a senhorita é a mais bonita deste lugar? Evita vai embora sem se despir, nem se despedir e nem me ouve pedir para ficar num lugar em que eu possa estar junto com Ringo Starr, até acabar a tarde e a vontade de desmaiar. Evita, lasciva, lá se vai para cantar, encantar e encontrar outros vários otários para amar.
Ronaldo Rodrigues