RIONDA
Rionda era terrível.
Sempre mastigava os chicletes
antes que eu terminasse
de comer doce de banana.
Rionda era curvilínea, retilínea,
mas deixava ver em sua chapa
de raio-x um certo acréscimo
de carnes em seus glúteos,
futuramente.
Rionda era a única
que sabia o enigma.
Saqueava o cemitério em busca
de esmeraldas e só ela tinha o poder
de perscrutar em cada olho caído nas covas
uma faísca de vida:
- Venham para fora, irmãos!
Rionda não queria que o mundo
acabasse na próxima esquina.
Ela esperava que a vida fosse forte
e tênue e guerreira e diáfana.
E que coubesse num suspiro.




Leia este blog no seu celular