a coisa pública


15/11/2007


VAI UM TEXTO DO CARTUNISTA PAULO EMMANUEL

 

 
Beco sujo sem saída
 
Quando acordou naquela sexta-feira de novembro, não sabia nem tinha idéia de como havia chegado ali. Havia um buraco de bala em sua testa. Meteu o dedo e aproximou do nariz num sobressalto com o cheiro de sangue fresco. Com isso sua mente o levou ao rápido raciocínio: se estivesse sonhando ou morto não haveria cheiro. Principalmente de sangue fresco. - Mas o que estou fazendo aqui neste beco com um buraco de bala no meio da testa? Pensou novamente: Se tem um buraco de bala, cadê a bala? Com os olhos míopes olhou pra cima ainda estupefato com a situação. Num supetão passou a mão pela parte de trás da cabeça. Tudo em ordem. Não havia nada. Estava meio grogue e com uma leve ressaca como se tivesse bebido vinho barato na noite anterior. Mas o que fazia ali jogado neste becosujosemsaída e com um buraco de bala no meio da testa? Tentou se levantar mas não conseguiu. Parecia que estava com uma tonelada na cabeça. O Chumbo pesa - pensou. Ironizou a situação. Lembrança não havia nenhuma. Só uma sensação de que não pertencia àquele lugar. Estava só de calça, sem camisa, sem sapatos, sem lenço... deixa pra lá. Olhou pra cima e uns varais de roupas puídas que decoram as janelas sorriram pra ele. Uma ratazana abusada passou por ele e sentiu nojo como se ele fosse uma ratazana, e correu olhando de esguelha. Sumiu na vala. havia de tudo naquele becosujosemsaída. No canto, uma placa velha enferrujada continha umas palavras tipo "Noupiauei". não sabia que significava aquilo. As palavras No up away estavam lá querendo dizer alguma coisa. Mas o que ele estava fazendo ali? Não lembrava de nada. A vida em sua memória havia começado exatamente naquele momento quando acordara e deu-se conta de que havia um buraco de bala em sua testa. Por um segundo pensou que havia morrido e pensou: a morte poderia colocá-lo pelo menos num lugar confortável e asseado. Mas se ele tinha sido uma pessoa escrota e tinha sido jogado no beco do inferno? Mas e o cheiro de sangue? Depois de morto todos os odores se dissipam - pensou. Neste momento o tilintar de metal surgiu junto com o barulhinho de moeda rolando e chegando até ele. Ganhara uma esmola. Não havia morrido. Não estava no beco do inferno e estava com a barriga roncando. Pegou a moeda e pensou num churrasquinho de gato que exalava a fumaça pelas redondezas. Levantou-se e caminhou até a venda do churrasquinho, comeu e foi andando sem rumo perguntando-se: - Que porra aconteceu comigo? Antes disso um gato caiu da janela. O dono diz que ele suicidou-se. O filho mais velho diz que ele foi assassinado; o certo é que ele pulou do terceiro andar. Andava triste e cabisbaixo. Muita depressão para quem tinha apenas 8 meses de vida. A situação aconteceu por causa de um cajueiro que cresceu até o alto e frondoso. Com isso ganhou a presença de apetitosos passarinhos. Um casal de rolinhas fez ninho em cima da caixa do ar condicionado. Quando o gato apareceu eles fugiram e o filhote que havia acabado de nascer fez um vôo forçado e precoce rumo ao cajueiro. Acho que a morte do gato foi praga da mamãe passarinha, já que o pimpolho se estatelou nos galhos. Mas os gatos não caem de pé? Perguntou a vó. Caem de pé. Mas quando caem em cima do muro coberto com farpas pontiagudas de aço fica difícil pro gato. O enterro foi uma coisa triste. Só o dono e a filha. Apanharam um plástico preto, envolveram o animal duro com sangue e formigas na boca, amarraram com arame, foram pra rua como quem carrega um saco de lixo e deixaram no pé de um poste para o lixeiro levar. Antigamente haveria cortejo fúnebre, caixãozinho, túmulo, velas e cruzinha com dizeres "Gato, não aperreia S. Pedro".

Escrito por Ronaldo Rony/Ronaldo Rodrigues às 11h35
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14/11/2007


AULA DE HISTÓRIA (PRA BOI DORMIR)

 

Os maias

 

Entre os povos mais pitorescos das Américas encontravam-se os maias. A maioria da população dos maias era composta por cantores obesos que não compareciam a seus shows. Exemplo maior disso era Tim Maia. Existiam também famosos diretores de televisão, conhecidos por Wolf Maia. E atrizes/dançarinas, como Cláudia Maia, que depois viria negar suas raízes e se tornar Raia.

 

O animal preferido dos maias era o lhama. Verdadeira fonte de vida para os maias, o lhama oferecia lã, carne, leite, transporte, satisfação sexual e ombro amigo. Na verdade, o lhama não oferecia nada, os maias é que tiravam. Era tanta a adoração dos maias pelo lhama que o consideravam um deus, o Dalai Lhama.

 

Os maias viviam numa região que hoje compreende o Peru, gostavam muito de feijão com tutu e aos domingos não perdiam uma partida de Fla-Flu. Só paravam essas atividades quando sentiam que ia dar numa rima um tanto grosseira.

 

 

Confira no próximo post (se houver):

Uma aventura pelo México, onde existiram várias civilizações avançadas. Entre elas, os astecas, os toltecas e os lotecas, inventores do famoso jogo. Mas essa é outra história.

Escrito por Ronaldo Rony/Ronaldo Rodrigues às 10h39
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