a coisa pública


07/11/2007


Ronaldo Rodrigues (se sentido um pouco Charles Bukowski)

Mais um dia. Acordo com aquela puta vontade de mandar tudo à merda. Vontade de abrir a janela e mandar todo mundo se foder. Mas é muito esforço para minha combalida figura. E a humanidade, decididamente, não vale a pena. A humanidade vai continuar aí, venerando dinheiro, trabalhando duro para meia dúzia de filhos-da-puta. A humanidade vai continuar fedendo pelo longo dos anos. Até acabar a merda da areia da ampulheta. Foi assim por todos esses malditos anos. Será assim pelo terceiro milênio afora. Duvido muito que haja um quarto milênio para a humanidade purgar.

Mais uma cerveja na companhia desse bando de otários que infesta a festa nefasta deste bar. Um bar sujo cheirando a mijo. Mas é preciso ser social (leia-se hipócrita) de vez em quando. Tanto faz morrer de tédio em casa ou na mesa do bar. Posso até fingir que assisto a uma decadente sessão de cinema. Poesia para todos! Pérolas aos porcos! Os especialistas de coisa nenhuma estão pontificando. É impressionante. Eles conseguem me provar que não basta saber coisas interessantes para se tornar uma pessoa interessante. Todos têm algo a dizer. Antes que isso aconteça, aperto o gatilho na minha testa e descubro que o outro lado da vida é do mesmo jeito que este. Então era isso? A condenação já tinha começado. Droga!

Escrito por Ronaldo Rony/Ronaldo Rodrigues às 10h07
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