a coisa pública


02/04/2007


dentro do atlântico

 

mil saaras

 

presos num arco-íris

 

sem cor

 

pela face do disfarce

 

muitas caras

 

espelhos da mesma dor

 

 

bem ali

 

no meio do meio-fio

 

formigas carregam ilusão

 

aranhas tecem tédio

 

trem-bala dispara na contramão

 

piloto camicase escolhe o prédio

 

que vai explodir

 

bem aqui

 

na  minha mão

Escrito por Ronaldo Rony/Ronaldo Rodrigues às 14h55
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Diário de bordo

 

Um submarino viaja atravessando os esgotos da cidade. Vez em quando, sempre que descobre um bueiro, mete por ele o periscópio e fica olhando cá pra fora. E vê que aqui fora tem muito mais lixo que dentro dos esgotos.

 

Um enfermo, um vampiro, um sábio chinês. Olhando-os rapidamente percebo serem as faces de uma mulher que se recusa a envelhecer.

 

Papai Noel passeia pelas ruas desertas da cidade. Como/onde achar um bar aberto a essa hora da madruga?

 

Os dedos passeiam pelas cordas do violão. Pelo buraco saltam golfinhos verdes, azuis, brancos, laranjas... e ficam nadando na partitura.

 

Olhos atentos do cyborg na silhueta de Marilyn.

 

O balão estoura: bolhas de sabão no ar, cacos de vidro no chão.

 

A lágrima do olho esquerdo do palhaço cai no centro do picadeiro. Dela nasce uma flor gigantesca de onde saltam peixes e cristais.

 

Na mais movimentada avenida da metrópole os arranha-céus se movimentam em direção ao iceberg. O naufrágio é inevitável.

 

Em frente ao computador os dedos pressionam as teclas. As impressões digitais ficam impressas no monitor.

Escrito por Ronaldo Rony/Ronaldo Rodrigues às 14h37
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Sem sonho/ sem sonho,

atravesso a madrugada.

Navego no ego, à deriva.

Atravesso um oceano de insônia.

Navego sem balsa, sem bálsamo,

a nado, sem nada no bolso.

Sem alcançar horizonte,

sem alçar vôo.

Amanheço a esmo.

Permaneço o mesmo.

Escrito por Ronaldo Rony/Ronaldo Rodrigues às 14h35
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