VALEU, TRINDADE!
Um abraço
dos irmãos de Macapá.
Ronaldo Rony & Ronaldo Rodrigues
VALEU, TRINDADE!
Um abraço
dos irmãos de Macapá.
Ronaldo Rony & Ronaldo Rodrigues
Riquezas são diferenças Texto de Arnaldo Antunes, originalmente publicado na Folha de São Paulo, em 07/01/1992. Republicado no livro de Arnaldo Antunes 40 Escritos, organizado por João Bandeira. Muita estupidez e preconceito se têm lido nas páginas dos jornais, seja na opinião dos próprios jornalistas, seja na declaração de pessoas do meio artístico musical, tendo por objeto a cor da pele de Michael Jackson. Não quero falar aqui da sua música, que continua exercendo o caminho natural de sua genialidade; nem no espaço poderoso que ele ocupa no mundo todo. Quero falar da clareza de Michael Jackson. Mesmo que para isso eu tenha de aceitar a condição da imprensa em geral, que tomou essa questão como um escudo para não comentar com o devido respeito seu último disco. Michael Jackson teve a pele negra. Ficou mulato em Thriller, clareou mais em Bad e agora aparece completamente branco em Dangerous. O mal-estar que isso vem causando é assustador, nessa beirada do ano 2000. Que ele “negou a sua raça”, “se corrompeu”, “virou um monstro”, entre ofensas piores. O pior ataque dessa onda se leu numa matéria assinada por Sérgio Sá Leitão, na seção denominada “Fique por dentro” (?), no Folhateen, de 9/12/91, que, além de desprezar sem nenhum fundamento Dangerous (“o fundamental em Michael Jackson não é mais a música – como o era na época de Thriller, sem álbum-emblema”) e lamentar a mudança de cor enquanto perda de identidade (“com sua identidade diluída, falta também a Michael Jackson a legitimidade indispensável a qualquer astro da cultura pop”), começa (na manchete) e termina (na conclusão da matéria), com uma frase de efeito de uma agressividade despropositada: “Michael Jackson é o eunuco do pop”. Tendo-se em conta a potência que ele representa, não apenas em seu som, mas também como fenômeno de massas no planeta, tal inversão só pode ser interpretada como fruto de ódio. Parece a indignação de um membro da Ku Klux Klan defendo a pureza racial ameaçada por esse branco que não nasceu branco. Brancos sempre puderam parecer mulatos, bronzear-se ao sol ou em lâmpadas específicas para esse fim, fazer permanente para endurecer os cabelos. Tudo isso visto com naturalidade e simpatia. Tatuagem, que é uma técnica predominantemente usada por brancos, pode. Até mesmo aquela caricatura de Al Jolson era vista com graça. Agora, o negro Michael Jackson entregar seu corpo à transcendência da barreira racial desperta revolta, reações de protesto e aversão. O espaço da ficção é permissivo. Todo mundo acha bacana Raul Seixas haver cantando “eu prefiro ser essa metamorfose ambulante”, ou haver existido uma banda chamada “Mutantes”. Há um consenso na aceitação da promiscuidade racial de Macunaíma, como traço característico de nossa identidade antropológica. Agora, quando adentramos o campo da vida real, as máscaras moralistas, racistas, preservacionistas da estagnação se mostram, contra a liberdade individual de se fazer o que quiser da própria pele. É que Michael Jackson é um Macunaíma ao avesso. Se o anti-herói de Mário de Andrade faz de si a parábola da gênese das diferenças raciais no espaço ficcional, Michael Jackson representa, em carne e osso, a abolição dessas fronteiras. Mas parece que, mais de cem anos depois, o Brasil ainda não está preparado para aceitar a Abolição. Os negros que estão condenando a mutação de Michael Jackson, insinuando ser ela fruto de inveja de uma suposta condição dos brancos, acabam na verdade chegando a um veredito semelhante ao do racismo branco que diz: “Como esse negro se atreve a usar a minha cor em sua pele?”. Michael Jackson continua cantando com o mesmo swing de quando tinha a pele preta, e dançando cada vez mais lindamente aquela dança que influenciou milhares de negros no mundo inteiro. Ele ostenta a pele clara como quem diz “eu posso”. E canta: “I’m not going to spend my life being a color”. E faz de seu corpo a prova de que a questão racial vai muito além da cor da pele. O corpo é para usar. O corpo é para ser usado. Michael Jackson está colocando seu corpo a serviço de um tempo em que a pessoa valha antes das raças, e o planeta antes das nações. Não se trata de extinguir as diferenças, mas de fundar radicalmente a possibilidade de trânsito entre elas. A miscigenação que se fez aqui (nesse país onde todos somos um pouco mulatos ou mamelucos), diacronicamente, durante séculos, faz-se sincronicamente nele. Michael Jackson é preto e é branco. Não fala em nome de uma raça ou casta, mas encarna em si a diferença. Não é mais americano porque é do mundo todo (“protection / for gangs, clubs, / and nations / causing grief in / human relations / It’s a turf war / On a global scale / I’d rather hear both sides / of the tale”, canta em Black or White. O incômodo está justamente nesse exercício de liberdade. Ele não precisa explicar nada. As respostas estão todas na sua cara. Ou naquelas caras tão diferentes se transformando umas nas outras, no clip de Black or White. “...Eu me torno as estrelas e a lua. Eu me torno o amante e o amado. Eu me torno o vencedor e o vencido. Eu me torno o senhor e o escravo. Eu me torno o cantor e a canção. Eu me torno o conhecedor e o conhecido... Eu continuo dançando... e dançando... e dançando, até que haja apenas... a dança” (Michael Jackson, em The Dance).
ESTÃO ACABANDO
COM AS NOSSAS
REFERÊNCIAS.
MORRE FARRAH
FAWCETT (AS PANTERAS),
DEPOIS MICHAEL JACKSON.
DAVID CARRADINE
(KUNG FU) EMBARCOU
NA SEMANA PASSADA.
SERÁ QUE ESTAMOS
FICANDO VELHOS,
PERGUNTAMOS PARA
NOSSA CONSCIÊNCIA,
QUE RESPONDE, MALCRIADA:
- CLARO, MANÉS!
NOVOS É QUE VOCÊS
NÃO ESTÃO FICANDO!
Morre Michael Jackson. Postaremos aqui, em breve, um texto de Arnaldo Antunes sobre ele. Enquanto isso, como cremos que não se pode lamentar a morte (pois seria o mesmo que lamentar a vida) de alguém, eis aí uma piada sobre MJ.
Diálogo entre pai e filho:
- Pai, o que é Deus?
- Deus é tudo, filho. Deus é homem, Deus é mulher, Deus é negro, Deus é branco. Deus gosta de criancinhas.
- Ah! Então Deus é Michael Jackson.
(risos. Ou não).
OS SEM-DIPLOMA
Por Ronaldo Rodrigues
A decisão do Supremo Tribunal Federal pela não exigência do diploma para o exercício do jornalismo vem causando estranhas reações. Há diplomados que acham que o STF rasgou seus diplomas. Outros acham que agora, para ser jornalista, basta querer.
Tanta gente já opinou que agora eu também vou lançar a minha opinião não-diplomada de publicitário não-diplomado e quase-jornalista.
Creio que só quem se sente ameaçado por essa decisão são os medíocres. A competência de cada um se mostra na prática. Se a pessoa tem informações e consegue trabalhar legal essas informações num texto, é isso que deve ser levado em consideração. Seria horrível alguém que escreve bem e saca de jornalismo ser preterido só pela falta de um diploma. Enquanto pode acontecer o inverso. Um sujeito sem o menor cacoete de jornalista resolve fazer faculdade e se forma. Aí esse cara vai procurar uma redação e exige ser contratado por ser jornalista formado.
O jornalismo é uma daquelas atividades que está no DNA. Dois grandes jornalistas brasileiros não passaram por nenhuma faculdade de jornalismo: Cláudio Abramo e Nélson Rodrigues. E quem há de negar a excelência de seus textos?
Portanto, senhores diplomados, não se preocupem. Se vocês são do lance, ninguém vai tirar seus lugares. A menos, é claro, como já disse lá no comecinho deste texto, que vocês sejam medíocres diplomados (ou seriam diplomados medíocres?).
As Boas do Abreu - Piadas e Anedotas do Balcão. É o livro que o jornalista Emanoel Reis lançará neste sábado, 20 de junho, às 17 horas, lá no Bar do Abreu, é claro! São pequenas histórias vividas ou testemunhadas pela galera de fiéis frequentadores desse bar que é uma das tradições da cidade. Logo depois, a partir das 20 horas, acontecerá o lançamento do CD Osmar Jr. no Bar do Abreu, com participações de outros nomes da MPA.
Se o Brasil tivesse perdido para o Egito, este blog, que gosta de ser engraçadinho de vez em quando, já estava com uma piada pronta: O BRASIL ESTÁ PERDENDO ATÉ PRA MÚMIA.
Mas, apesar do futebol da terra das pirâmides mostrar que não está pra brincadeira, os meninos milionários do Brasil foram lá e ganharam no último suspiro. Valeu, Brasil! Continuaremos pensando em outras piadas no decorrer da competição.
• Reggae do Universitário
Todas as sextas, no Clube da Maçonaria
(em frente à praça do Araxá), às 21h.
Informações: 8127-8833 / 8125-9634
/ 9129-8686
• Noite Fora do Eixo
com Vinil Laranja, do Pará, e a galera daqui:
Stereovitrola, Godzilla, Fax Modem, SPS 12,
Roni Moraes e Marttyrium.
Dias 12 e 13 de junho, às 19h,
na Sede dos Escoteiros - Trem.
O ingresso é (só somente só) 6 reais.
Realização: Coletivo Palafita
e Fora do Eixo.
• Vamos Comer Teatro apresenta
Bent, de Martin Sherman.
Todas as sextas e sábados de junho,
às 20h, no Teatro Porão do Sesc Araxá.
Informações: 3241-4440.
Estamos de volta. Passamos um tempo dentro da concha, do casulo, da gaveta, da cx de phosphoros, do sapato... Mas eis-nos aqui.
Assistimos ao documentário Simãosinho Sonhador, lá no Bacabeiras. O filme é bom. Parabéns a esse pessoal destemido que mostra que é possível fazer cinema por estas bandas. E por falar em cinema no meio do mundo, lá vai o manifesto Farinha Pouca, Meu Pirão Primeiro!
Farinha pouca, meu pirão primeiro!
O audiovisual é um forte instrumento de resgate e de acervo de uma realidade histórica e social. É através dele que documentamos a trajetória de um povo e suas conquistas.
O mundo tem muito que conhecer e reconhecer a partir de suas inúmeras possibilidades. E esse nosso gigante lençol verde que é a Amazônia tem uma gama infindável de temas a mostrar. O problema é que o olhar de quem aqui vive e reconhece a importância desses focos nunca é valorizado por quem detém o poder das políticas públicas. Elegemos os nossos representantes e estes elegem outros realizadores para filmar em nosso quintal e levar a pouca verba que também deveria servir aos nossos propósitos documentais. Nada contra esses realizadores. Que bom que eles nos prestigiem mostrando nossa gente e nossas belezas naturais.
O senador José Sarney abre as burras e saca dois milhões, a deputada federal Dalva Figueiredo comparece com trezentos mil e a cineasta Tizuka Yamazaki filma parte de seu longa-metragem Amazônia Caruana lá pros lados do Araguari. Que bom mesmo! Ela trouxe a sua equipe e somente meia-dúzia de gatos pingados daqui irão participar, carregando equipamentos na locação. Quem sabe poderão aprender com eles alguma nesga de suas experiências? Agora, perguntamos: será que isso está certo?
E o nosso pirão? Quem nos dera ter pelo menos um pouco do cuí dessa farinha! Uns poucos e minúsculos bagos, mesmo que fosse a sobra do fundo da saca. Somos nós que trabalhamos por este lugar e elegemos os representantes legais e são outros que levam a saca cheia? Esperamos que a nossa tribo esteja inserida no projeto Tainá III anunciado por seus produtores e pelo Governo do Estado. Tomara que possamos participar do processo e não nos deixem de fora, com nossas bundas ao alcance de suas lentes refinadas e com cara de quem está feliz com essa patuscada oficial.
Um dia, um amigo chegou à conclusão de que a “política é para quem tem coragem”. Aviso aos navegantes: quando nos pintamos para a guerra, nossos irmãos tucuju se vestem dessa mesma coragem. Decência e bom senso é que cobramos nessa batalha. Achamos que, em vez de ignorados, deveríamos ser olhados como o que somos: aliados e principais interessados na batalha pelo audiovisual.
Temos consciência do nosso valor e queremos o diálogo.
Não queremos guerra, mas estamos lutando pelo espaço a que temos direito.
ABDeC / AP
Associação Brasileira de Documentaristas
e Curtametragistas do Amapá
Agora, que a onda mais violenta passou, é possivel distinguir na praia meu castelo de areia, que eu achava estar destruído. A água não o transformou numa pegada quase imperceptível. Lavou e fertilizou os jardins, encheu o fosso, lubrificou as dobradiças, abriu portas e janelas, consertou as pontes e renovou as algas, meu único alimento. Daqui do cesto da gávea, navegando o azul após a tempestade, sinto que a tormenta vai trazer o sol por inteiro. Esticando o pescoço já consigo sentir seus primeiros raios.
DROPS
• Uma mulher cavalga um unicórnio na metrópole.
• Visões de uma mulher no divã: aviões em combate, locomotivas em disparada, suculentos sorvetes transbordando das taças.
• O homem que me apunhalou pelas costas escapa, volta para dentro do espelho. No escuro, seus olhos pedem silêncio em honra ao morto.
• Uma página em branco. Uma mosca adentra o campo branco da página. Pousa. Ao levantar vôo deixa um milhão de ovos para povoar a página.
• Minhas impressões digitais na taça de cianureto denunciarão meu suicídio?
• Uma sucessão frenética de cenas: um boeing cruzando o céu e o rótulo da caixa de fósforos. Um esquiador desliza nas cordas da guitarra. Anéis de Saturno brilhando na plataforma petrolífera.
• A lágrima do palhaço cai no centro do picadeiro. Dela, nasce uma flor gigantesca de onde saltam peixes e cristais.
• Da sacada do palácio pode-se avistar Pégasus sobre a metrópole abandonada, as muralhas azuis do manicômio e o cavaleiro medieval tentando invadi-lo.
• Na mais movimentada avenida, os edifícios se movimentam em direção aos icebergs. O naufrágio da cidade é inevitável.
NOTÍCIAS REAIS
DE UM MUNDO IRREAL
• O Sindicato Mundial dos Porcos mostrou sua força ao exigir que o nome da gripe que assola o México mudasse de nome. As autoridades vasos sanitárias reconheceram que os porcos estavam sendo alvos de preconceito. Livres do estigma e com a liberação da carne suína, os porcos comemoraram com uma grande feijoada.
• A passeata dos filhos do presidente do Paraguai tomou as ruas de Assunción. Segundo as estimativas, cinco mil filhos do ex-bispo participaram da passeata exigindo pensão vitalícia. Para contornar a situação, o presidente papa-tudo lançou o Programa Bolsa Minha Família.
DROPS
• Um submarino viaja atravessando os esgotos. De vez em quando, sempre que acha um bueiro, mete por ele o periscópio e fica olhando cá pra fora. E vê que aqui fora tem muito mais lixo.
• Um enfermo, um vampiro, um sábio chinês. De repente, olhando-os rapidamente, percebo serem as faces de uma mulher que se recusa a envelhecer.
• Mona Lisa sorri enigmática de dentro de uma lata de sardinha.
• Papai Noel anda pelas ruas da cidade. Como/onde achar um bar aberto a essa hora da madruga?
• Apunhalado pelas costas, o pintor cai da mesa de trabalho. Seu sangue se junta às tintas e o arco-íris se forma na vidraça.
• O balão estoura: bolhas de sabão no ar, cacos de vidro no chão.
• Sobre o bolo de casamento, as pegadas do bonequinho-noivo. Ele partiu, deixando a bonequinha-noiva aos prantos. Vai acabar derretendo o bolo.
Para sempre
Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo-
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.
Carlos Drummond de Andrade
palavras sem o menor sentido
pouco me interesso pelo real. somente os sonhos e os delírios me deixam em estado de alerta. ou letargia total, sei lá! agora, por exemplo, não sei se é sonho: o momento em que pouso o copo de uísque barato na mesa barata do boteco barato e tento continuar escrevendo estas linhas toscas, que ninguém lerá. o sonho em que pareço mergulhado nem sempre me dá prazer. prazer é artigo de luxo. a tv mostra bombardeios horrendos narrados por repórteres em modelitos impecáveis. os comentários das pessoas ao lado me desagradam profundamente. são opiniões equivocadas, que revelam o nível precário de consciência em que o ser humano chegou neste princípio de milênio. penso em caetano. ele tem razão quando fala de uma nova idade média situada no futuro.
• • •
posso pensar que a amargura dos ultra-românticos escreveu belas páginas da literatura mundial. em verdade, posso pensar qualquer coisa. e, quando estou de posse de uma caneta e um pedaço de papel, esse poder se transforma em palavras que revelam poder nenhum. a não ser uma sensação de aniquilamento. mas prosseguiremos. prosseguiremos?
• • •
não há motivo aparente para desespero. e o desespero não existe realmente. mas se existe no delírio, e é o delírio que me interessa, o desespero passa, então, a existir. eu coloco uma distância entre o desespero que há e o sofrimento que ele pode causar. é como se eu fosse apenas o cinegrafista do filme que é minha vida. um observador desatento, mas privilegiado, das coisas que acontecem comigo e que alguém, sentado na poltrona do cinema, pode dizer: ei! essa é a vida de alguém!
• • •
um trabalhador que pega no batente às sete da manhã, o que o obriga a acordar às cinco, diria: “frescura! na minha terra, homem que é homem não tem tempo ou disposição para questões que esse cara acha que abriga no peito, na cabeça”. é verdade. o tempo disso já passou. a adolescência não voltará pra me redimir, me colocar nos eixos. hoje, adulto, eu deveria saber que não há eixo algum. há somente uma tentativa, por muitas vezes frustrada, de consciência. saber-se na escuridão, tentando manter os olhos abertos.
Ronaldo Rodrigues


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